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Alvaro Valle
Alvaro Bastos Valle

Patrono
A POBREZA AMEAÇA A EUROPA
   
A retirada das tropas americanas do Afeganistão, marcadas para 2014, pondo fim a uma guerra que já dura 33 anos, com os americanos se instalando na região tão logo ajudaram o país a vencer a extinta URSS, foi um dos pontos de consenso durante a campanha pela presidência dos Estados Unidos.

Segundo a agência France Press sobre política externa, Romney apoiou a decisão de Obama de se retirar do Afeganistão em 2014, expressou apoio aos ataques de drones (pequeno avião operado por controle remoto) americanos contra alvos terroristas e o felicitou por caçar e matar o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, no vizinho Paquistão.

Mas porque o Afeganistão levaram os Estados Unidos a prosseguir numa guerra de disputa que começou com a extinta URSS? Segundo matéria do jornal "New York Times" o Afeganistão "tem reservas inexploradas de minérios e pedras preciosas avaliadas em cerca de 1 trilhão de dólares. Aí incluídos imensas reservas de ferro, cobre, cobalto, ouro e metais industriais críticos, como o lítio" , segundo o jornal.

Por isto o Afeganistão foi invadido e ocupado pela então União Soviética em 27 de dezembro de 1979, quando o líderHafizullah Amin foi morto e substituído por BrabakKarmal, pró-russo. Nos anos seguintes as forças governamentais e os 118 000 soldados soviéticos tomaram o controle das principais cidades e vias de comunicação, mas todas as operações militares realizadas revelaram-se insuficientes para derrotar os rebeldes nas montanhas.

Segundo o historiador Norman Dixon num artigo sobre os mujahidins afegãos (combatentes islâmicos), como contra-ataque os americanos reuniram um exército de fundamentalistas islâmicos contra as tropas soviéticas no Afeganistão durante os anos oitenta, quando Bin Laden e a sua rede terrorista, a Al Qaeda, foram criados pelo serviço secreto norte-americano e a CIA. A matéria do "New York Times", diz que, em 1986 o então chefe da Central IntelligenceAgency (CIA), William Casey, autorizou uma proposta de recrutamento mundial de fundamentalistas islâmicos para se juntar à "Jihad" (Guerra Santa) no Afeganistão contra as tropas da União Soviética.

Alguns dos lideres foram recrutados pelo Centro de Refugiados de Kifah no Brooklin, em Nova Iorque, no âmbito da chamada "Operação Ciclone", de acordo com o jornal. Os fundamentalistas islâmicos recrutados receberam dinheiro e equipamento distribuídos no Paquistão através da organização MaktabalKhidamar (MAK - Escritório de Serviços), um ramo dos serviços secretos paquistaneses (ISI). O ISI era o principal canal para onde eram encaminhados os apoios secretos da CIA e da Arábia Saudita.

As atividades de Bin Laden no Paquistão e Afeganistão realizavam-se com o conhecimento e o apoio do regime saudita e da CIA. MiltBearden, chefe da CIA no Paquistão de 1986 a 1989 admitiu em 2000 ao jornal "New Yorker", que embora nunca tivesse encontrado Bin Laden pessoalmente conhecia as suas atividades à frente do MAK.

O artigo, de Norman Dixon, cita também um soldado britânico Tom Carew, que se juntou secretamente aos mujahidines, segundo quais militares norte-americanos treinaram os fundamentalistas islâmicos em atividades de terrorismo urbano, designadamente carros-bomba, para atuar contra as tropas soviéticas nas maiores cidades afegãs.

Esse know-how começou a ser usado quando Bin Laden mudou de posição, denunciando o domínio americano na Arábia Saudita. E culminou com o 11 de setembro Em resposta aos ataques nas Torres Gêmeas (World Trade Center) em Nova Iorque, e no Pentágono, cuja autoria foi reivindicada por Osama bin Laden, reconhecido como herói pelos Talibãs, no dia 7 de Outubro de 2001, os Estados Unidos e forças aliadas lançaram uma campanha militar, como parte de sua política antiterrorismo, caçando e prendendo suspeitos de atividades terroristas no Afeganistão e mandando-os para a base de Guantánamo, em Cuba.

O Ageganistão é um país muito pobre, dependente da agricultura (principalmente da papoula, matéria-prima do ópio) De 80 a 90% da heroína consumida na Europa provêm do ópio produzido nos campos afegãos. O tráfico tornou-se um importante negócio ilegal desde a queda do regime talibã, em 2001. De acordo com um inquérito realizado em 2007 pelo Escritório da ONU contra a Droga e o Crime (UNODC), 93% dos opiáceos no mercado mundial vieram do Afeganistão.



   
 
 
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