PROVÉRBIO DO VALLE
Há poucas estradas que conduzem à prosperidade. Só conheço três: a economia (a poupança), o jogo ou o roubo. Alguém lembrará o trabalho. Mas o trabalho só conduz à prosperidade, se houver a poupança. Se alguém trabalhar muito, mas jogar fora tudo que ganhou, continuará pobre. Há economistas que sonham com milagres, e, o que é pior, fazem alguns bobos sonharem também. Acham que com decretos, umas medidas na política monetária ou cambial, todos podem ficar mais ricos, ganhar melhor, consumir mais e trabalhar menos. Esse tipo de falácia costuma durar uma ou duas eleições.
Se fosse possível enriquecer um país sem mais trabalho e mais poupança, não haveria países pobres no mundo. Todos importariam os gênios milagreiros de nosso país, e a miséria estaria erradicada do mundo. Na realidade, se não considerarmos os investimentos externos, um país só cresce se aumentar sua poupança (porque é da poupança que saem os investimentos). Para que se aumente a taxa de poupança, tem-se de reduzir o consumo (é uma espécie de gangorra), a não ser que se aumente a produtividade. Em outras palavras: em Economia, não há milagres.
Uma alternativa é importar poupanças (investimentos) externas. Há países (ou ex-países, como Porto Rico) que fizeram todo seu desenvolvimento baseado nessas poupanças estrangeiras, sem maiores sacrifícios internos, pelo menos na primeira fase. No Brasil, o governo conseguiu convencer muita gente de que, para acabar a inflação, aumentar o nível de emprego, eliminar a miséria e promover a justiça social, basta ter um Presidente ex-socialista (são os capitalistas mais radicais, para compensar o tempo perdido). Em vez de fazerem da economia a base da prosperidade, fazem dos discursos e dos planos, a base da riqueza. Se eles estiverem certos, o provérbio está errado.